Boa parte do que somos, pensamos, acreditamos, ou acreditamos que pensamos que somos, deriva do que lemos, vimos, ouvimos, vivemos, ou tudo isso junto. LI OU VI, reúne um pouco disso. Espero expressar o que, pouco provavelmente, alguém "são" pensaria... a loucura é o que me move, discordâncias é o que procuro. A unanimidade é burra, nas divergências há verdade... encontre-as pois, AKI OU AKOLÁ!!!
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
Decisão do STF
Li o texto que segue abaixo e achei de uma clareza e objetividade, que resolvi "repostá-la" neste espaço. Repostando do blog http://blogdobento.blogspot.com .
"O que mudou com o reconhecimento oficial do que já existe? Pra mim, nada.
Eu nunca tive tesão por outro homem... Pode ser legal, agora, mas pra mim, não muda nada.
Muda para aqueles que abriram mão de pensar e acham que podem virar gays a qualquer instante... Os antigays se parecem muito com aqueles caras de Brokeback Mountain... "tá frio... a gente tá sozinho aqui... vamos transar?" rsrs
Ou seja, os antigays parece que vivem se coçando pra transar com os gays, por isso lutam pra que a coisa não fique legal, pois, se ficar legal, a coceira vai vencê-los... rsrsrs
Eu ficaria preocupado e teria lutado contra se a Lei fosse me obrigar a ser homossexual. Aí, eu esbravejaria e, se passassem tal Lei aqui, eu mudaria de país.
Mas, me diga, seriamente, a Lei aprovada agora obriga você a ser gay? Não? Então, qual é o problema? Você quer mandar nos órgãos sexuais dos outros? Saiba, nos meus mando eu -- e eles só gostam de mulher.
Ah, por favor, pare com a hipocrisia. Acabe com essa história de que "vai ser horrível para as crianças que eles agora poderão adotar". Por que vocês não adotaram todas as crianças abandonadas, antes? Ou seja, as crianças continuarem sem um lar, abandonadas, nunca foi um problema para vocês. Problema é se os gays derem a elas o lar que vocês se recusaram a dar? Ou são os gays que abandonam suas crianças em latas de lixo?
Você acha que os gays vão influenciar, com o exemplo, os filhos adotados a serem gays? Ora, então, por que o exemplo dos héteros não surtiu o mesmo efeito? Afinal, os gays são filhos de héteros e tiveram pais héteros como exemplo.
Ah, isso é contra a sua fé? Ora, a fé é sua. Eu não quero ser obrigado a obedecer a sua fé. Por que obrigaria outros a obedecer a minha?
Isso é contra a Lei de Deus? Ora, os ministros do Supremo não são Aiatolás e nem Papas. Eles julgam apenas o que é Constitucional. E eles já julgaram. " Bento Souto
quinta-feira, 10 de março de 2011
Incêndios
Um filme de produção canadense e francesa, falado em francês e rodado, a maior parte do tempo no Líbano, aspectos que por si só já tem garantido excelentes filmes.
Com este não é diferente. A garantia de ter visto um excelente filme é certa.
A história é contada em dois tempos, num intervalo aproximado de 20 anos. Uma mãe solteira e viúva (isso mesmo), que ao morrer deixa em seu testamento pedidos inusitados aos filhos gêmeos. Duas cartas que devem ser entregues, uma ao pai que era dado como morto, e outra a um outro filho que tinha sua existência ignorada.
Numa viagem que leva às origens natais desta mãe, os filhos farão descobertas difíceis sobre a mãe e a origem deles próprios, num desfecho final dos mais surpreendentes e fantásticos que já vi.
Os temas tratados percorrem o radicalismo religioso, guerra entre cristãos e muçulmanos, violência contra a mulher, estupro.
Este filme me fez lembrar um depoimento do filme "Que bom te ver viva" que, num monólogo brilhante de Irene Ravache, resgata a história de mulheres militantes de partidos de esquerda, vitimadas no período da ditadura militar brasileira, e que relatam as marcas deixadas pela violência sofrida.
Num desses depoimentos uma das mulheres, menciona a gravidez que lhe deu forças para superar todos os danos causados pelos anos de aprisionamento, dizia que o maior barato que a gravidez lhe proporcionou foi de perceber as diferenças entre a mulher e o homem, porque enquanto a barriga do homem só produz côcô, a barriga da mulher produz vida.
Essa foi uma sacada incrível de quem precisava dessa convicção para sobreviver, e este filme também conduz prá algo parecido. É um filme de detalhes, sutilezas, que como um jogo de montar, vai se encaixando bem devagar. O próprio título do filme, terá seu sentido desvendado na história, o fogo que consome, mas também purifica.
Recomendadíssimo.
- País / Ano: Canadá/França / 2010
- Duração: 130 minutos
- Direção: Denis Villeneuve
- Elenco: Melissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette, Lubna Azabal
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Às Margens do Rio Sagrado
India, Banaras, 1938 - Água do rio Ganges, água da chuva; as águas se misturam às lágrimas das viuvas hindus no ashram, onde vivem juntas, separadas da família e da sociedade, prisioneiras dos costumes até o fim da vida. De acordo com a tradição dos livros sagrados só têm 3 opções após a morte do marido: casar com o irmão mais moço do falecido, se a família permitir, matar-se na pira funerária ou viver em celibato e disciplina.
Aos 8 anos, Chuyia já é viuva, embora sequer se recorde do dia do casamento. Está destinada a uma meia-vida, pois metade de sua alma foi levada pelo marido. Ela espera que a mãe venha resgatá-la da casa das viúvas, mas isso não acontece. Protegida pela incansável Shakuntala, desafiando a desagradável Madhumati, Chuyia faz amizade com Kalyani, a bela jovem que também é viuva desde a infância. Por acaso elas conhecem Narayan, jovem advogado, adepto do Mahatma Gandhi, que está prisioneiro de fato dos ingleses, mas cujas idéias voam livres pela India, entusiasmando as almas jovens na busca da verdade.
A diretora Deepa Mehta enfrentou oposição de grupos hindus fundamentalistas. Precisou encerrar as filmagens em Varanasi, devido à pressão do líder do governo em Uttar Pradesh. Quatro anos depois a produção foi retomada no Sri Lanka.
"Deepa Mehta comoveu-se com a situação precária das viúvas indianas. Segundo os censos de 2001, existem cerca de 34 milhões de viúvas neste país, a viverem em condições miseráveis, de acordo com um texto religioso que conta com mais de dois mil anos de vida.
Depois de um grupo de fundamentalistas hindus terem destruído por completo o cenário onde a realizadora estava a filmar, na Índia, Deepa Mehta recriou a cidade de Varanasi e o rio Ganjes no Sri Lanka. No elenco, conta-se com a beleza de Lisa Ray, com a super estrela de Hollywood, John Abraham, e com a sensibilidade e ternura de Sarale. Esta a criança de sete anos, nascida no Sri Lanka, descoberta por Deepa Metha, que nunca tinha actuado antes, não sabia uma palavra de indiano ou de inglês. Aprendeu as palavras foneticamente, com a ajuda de um tradutor." (Ana Rita Madruga)
"Às Margens do Rio Sagrado" é um filme belo e delicado, que emociona. Faz parte de uma trilogia, iniciada em 1996, com "Fogo" (Fire) e continuada com "Terra" (Earth), de 1998. (extraído do Blog By Star Filmes)
Transcrevi este texto pois ele dá conta com competência de contextualizar esta história.
A vontade em algumas cenas é congelar a imagem e começar as discussões sobre ideologias, tradição, fé, interesses, violência contra a mulher, a violência contra a vida humana.
Uma vez mais, e coincidentemente em três recentes filmes que vi, o suicídio se configura como uma alternativa para toda essa opressão social sofrida pelos personagens, que como nesta história, permanecem à margem.
Fiquei interessada nos outros dois da trilogia... se ver, posto depois.
Abs.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Lemon Tree - O limoeiro
Revi este filme depois de quase dois anos. Se tivesse que resumir sua temática com meia dúzia de palavras, diria que nos serve com maestría um suculento prato sobre direitos individuais, ou melhor dizendo, violação de direitos individuais.
A arte do cinema, como tantas outras, se utiliza de seus recursos, histórias, tecnologias, para apresentar suas ideologias, bandeiras, verdades, e, os (filmes) que são bons, nos ajudam a saboreá-los antes de simplesmente engolí-los, tais quais as pipocas que vendem à porta.
O que poderia parecer chato, envolve. Envolve, porque toca sutilmente em questões bastante "humanas". É estranhamente normal falar como fato, de direitos humanos, direitos individuais, direitos coletivos, uma formação acadêmica denominada "Direito", e na prática, dar por primordial a verdade que serve ao interlocutor, assolando tudo o mais que estiver pela frente.
Pensar sobre isso, mover-nos entre dois pontos da história e dos direitos, é o que faz esta película.
Fico a pensar sobre o que nos pertence, ao que posso reivindicar direitos? Ironicamente o livro mais lido, crido e questionado, a Bíblia, diz sobre esta existência e seu incansável desejo de adquirir, de que "a humanidade veio do pó e ao pó tornará", e em outros cantos, declara a vaidade humana sobre o que pensa ser e ter.
O que pode ser retirado de alguém, é a pergunta que nos envereda na história. E prá quem, como indicado por especialistas da boa digestão, consegue mastigar no mínimo trinta vezes, acrescentaria a esta pergunta, o que "mais" pode ser retirado de alguém?
Este alguém, somos nós, e resta-nos saber quem ou ou que são estes limoeiros? O limoeiro, o retrato do poder instituído na representação do quadro do marido morto, que se personifica em iguais, que temem pelo direito do morto, dos mortos...
O direito morto dos vivos... um bom filme para agradáveis e intermináveis reflexões.
A arte do cinema, como tantas outras, se utiliza de seus recursos, histórias, tecnologias, para apresentar suas ideologias, bandeiras, verdades, e, os (filmes) que são bons, nos ajudam a saboreá-los antes de simplesmente engolí-los, tais quais as pipocas que vendem à porta.
O que poderia parecer chato, envolve. Envolve, porque toca sutilmente em questões bastante "humanas". É estranhamente normal falar como fato, de direitos humanos, direitos individuais, direitos coletivos, uma formação acadêmica denominada "Direito", e na prática, dar por primordial a verdade que serve ao interlocutor, assolando tudo o mais que estiver pela frente.
Pensar sobre isso, mover-nos entre dois pontos da história e dos direitos, é o que faz esta película.
Fico a pensar sobre o que nos pertence, ao que posso reivindicar direitos? Ironicamente o livro mais lido, crido e questionado, a Bíblia, diz sobre esta existência e seu incansável desejo de adquirir, de que "a humanidade veio do pó e ao pó tornará", e em outros cantos, declara a vaidade humana sobre o que pensa ser e ter.
O que pode ser retirado de alguém, é a pergunta que nos envereda na história. E prá quem, como indicado por especialistas da boa digestão, consegue mastigar no mínimo trinta vezes, acrescentaria a esta pergunta, o que "mais" pode ser retirado de alguém?
Este alguém, somos nós, e resta-nos saber quem ou ou que são estes limoeiros? O limoeiro, o retrato do poder instituído na representação do quadro do marido morto, que se personifica em iguais, que temem pelo direito do morto, dos mortos...
O direito morto dos vivos... um bom filme para agradáveis e intermináveis reflexões.
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