Pensava hoje sobre o silêncio. O silêncio é uma fala, o que se quer dizer sem palavras, sem som, sem voz, sem gestos, sem olhar, sem toque... mas, verdadeiramente o que se quer que saiba. A presença tipificada pela ausência, o que se quer dizer pelo não dizer, o que se não faz para pronunciar o ato consumado.
Há coisas na vida que são indizíveis. A dor é uma delas.
A dor não se pode dimensionar, não se pode pesar. Não se compra dor, não se vende dor.
O Leitor dentre tudo de memorável que representa, denuncia esta mesma sensação que requer de nós uma rendição, de olhar para a dor, de tentar compreender a dor, de dimensionar a dor, de sentir a dor que essencialmente não seria nossa, mas, também nos é.
Que curiosa esta manobra de nos fazer circular por dores diversas, como se a cada um fosse atribuído o dever de sentir a dor do que é mais primitivo, do nascer.
O nascer implicado num tanto de "fazeres" e de "seres"... e as nossas escolhas e possibilidades reclusas no que se espera de mim.
Que filme intenso e profundo que trata da aceitação vinculada a apropriação de decifrar este conjunto de caracteres que se organizam e formam, constroem nossas idéias, a escrita, a leitura. Que poderiam ser significadas de muitas formas, mas que implicado no "ser" deste nascer, mata sereveramente este possibilidade de existir.
Secundário a isto, o afeto, marcado pelo silêncio, o silêncio que ironicamente diz, escreve, lê, toca, sente prazer, vive e sobrepõe tenporalmente a dor.
Quem não tem o domínio das letras silencia pela própria ausência de atribuir sentido aos formatos socialmente estabelecidos. A dor institucionaliza, que submete, que resignifica valores, verdade, justiça.
Tudo isso é poder... é dor... é silêncio.
Boa parte do que somos, pensamos, acreditamos, ou acreditamos que pensamos que somos, deriva do que lemos, vimos, ouvimos, vivemos, ou tudo isso junto. LI OU VI, reúne um pouco disso. Espero expressar o que, pouco provavelmente, alguém "são" pensaria... a loucura é o que me move, discordâncias é o que procuro. A unanimidade é burra, nas divergências há verdade... encontre-as pois, AKI OU AKOLÁ!!!
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
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