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quinta-feira, 10 de março de 2011

Incêndios

Um filme de produção canadense e francesa, falado em francês e rodado, a maior parte do tempo no Líbano, aspectos que por si só já tem garantido excelentes filmes.
Com este não é diferente. A garantia de ter visto um excelente filme é certa.
A história é contada em dois tempos, num intervalo aproximado de 20 anos. Uma mãe solteira e viúva (isso mesmo), que ao morrer deixa em seu testamento pedidos inusitados aos filhos gêmeos. Duas cartas que devem ser entregues, uma ao pai que era dado como morto, e outra a um outro filho que tinha sua existência ignorada.
Numa viagem que leva às origens natais desta mãe, os filhos farão descobertas difíceis sobre a mãe e a origem deles próprios, num desfecho final dos mais surpreendentes e fantásticos que já vi.
Os temas tratados percorrem o radicalismo religioso, guerra entre cristãos e muçulmanos, violência contra a mulher, estupro.
Este filme me fez lembrar um depoimento do filme "Que bom te ver viva" que, num monólogo brilhante de Irene Ravache, resgata a história de mulheres militantes de partidos de esquerda, vitimadas no período da ditadura militar brasileira, e que relatam as marcas deixadas pela violência sofrida.
Num desses depoimentos uma das mulheres, menciona a gravidez que lhe deu forças para superar todos os danos causados pelos anos de aprisionamento, dizia que o maior barato que a gravidez lhe proporcionou foi de perceber as diferenças entre a mulher e o homem, porque enquanto a barriga do homem só produz côcô, a barriga da mulher produz vida.
Essa foi uma sacada incrível de quem precisava dessa convicção para sobreviver, e este filme também conduz prá algo parecido. É um filme de detalhes, sutilezas, que como um jogo de montar, vai se encaixando bem devagar. O próprio título do filme, terá seu sentido desvendado na história, o fogo que consome, mas também purifica.
Recomendadíssimo.


  • País / Ano: Canadá/França / 2010
  • Duração: 130 minutos
  • Direção: Denis Villeneuve
  • Elenco: Melissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette, Lubna Azabal

sábado, 5 de março de 2011

Piaf - Um Hino ao Amor

A irresistível dor de existir. A dor que atravessa o físico, ignora os sentidos, atenua a pior das perdas. Vem por dentro, não escolhe lugar, invade, arrebata, arranca as certezas mais fincadas, segmenta valores. É instantânea e interminável. Seca, assombra, manipula, devasta, existe, e quer ser sentida, experimentada e amada. 
Quero cantar a vida que me persegue e a morte que me é inerente, cada vez mais próxima e mais real...


Não, Eu Não Me Arrependo de Nada


Não! Nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal - isso tudo tanto faz! 


Não, nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado! 


Com minhas lembranças
Acendi o fogo 
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!


Varridos os amores
E todos os seus temores 
Varridos para sempre
Recomeço do zero.


Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo tanto faz! 
Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!


tradução de: Non, Je Ne Regrette Rien

Composição: Michel Vaucaire / Charles Dumont

Caramelo (DVD)

Sem dúvida, um dos mais belos filmes sobre mulheres que já assisti. De uma sensibilidade notável, foi dirigido e estrelado pela atriz libanesa, belíssima, Nadine Labaki. Uma produção francesa e libanesa de 2007. Rodado na cidade de Beirute, apresenta a história de cinco mulheres que tem suas vidas cruzadas no salão de beleza Si Belle: Layale (Nadine Labaki), amante de um homem casado e que sonha com o dia em que ele se separará; Nisrine (Yasmine Elmasri), que está prestes a se casar mas não é mais virgem e não sabe como contar isto ao noivo; Rima (Joanna Moukarzel), que sente atração por mulheres; Jamale (Gisèle Aouad), que tem medo de envelhecer; e Rose (Sihame Haddad), que abriu mão de sua vida para cuidar da irmã mais velha.
Além delas, algumas outras mulheres são sutilmente inseridas na história, desvelando este universo que não é só feminino, em suas questões mais diversas, mas também únicas, da beleza, do afeto, do casamento, da maternidade, da traição, do amor em todas as fases da vida, do sexo.
Em suas histórias que são banhadas de sensualidade, regras, religião, vida e morte, é impossível não nos encontrarmos em algumas delas, deslizam também interpretações agradáveis, numa música que embala.
Um filme gostoso de se ver, que remete a uma série de reflexões sobre as relações afetivas, familiares, sociais. Um filme que faz olhar prá si sem perder o outro. Maravilhoso.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A Árvore - Filme

Com profundo pesar pelo anúncio do fechamento do Cine Belas Artes, fui ver hoje um desses filmes que só passa lá, e que por isso torna aquele lugar tão especial.
Um filme australiano, que passou na Mostra Internacional, e que infelizmente, como outros tantos bons filmes europeus, asiáticos e latinos, não tem espaço no circuito comercial das salas paulistanas.
Uma história charmosa que me levou a, muito propositadamente, pensar neste meu momento. Uma família, marido, esposa e quatro filhos, vivendo numa bela casa, ladeada por uma imensa árvore (a que dá título ao filme). O marido morre e então os dramas da família, de perda de marido e pai, vão sendo narrados ao redor desta grande árvore.
Os simbolismos representados pela árvore são os mais diversos, das fantasias construídas nesta figura que se configurará na prisão e na libertação de cada um.
O romper implica por vezes em perdas, em abrir mão de algo por alguma coisa. Certas situações podem realmente parecer-se com um ciclone, que arranca as raízes que precisam se desprender "deste" lugar para dar a liberdade necessária...
Quem conhece as histórias entenderá... vejam o filme, vale a pena.

sábado, 27 de novembro de 2010

Mundo Alas - Documentário

Uma das maneiras na vida que me fazem identificar minha sanidade, é quando me permito afetar com as emoções mais simples, chorar com experiências de quem não conheço, emocionar-me com o essencial para a vida humana, sua própria preservação e manutenção, além de despir-me de tudo que me afasta deste estado.
Nesta semana aconteceu em São Paulo e em outras 19 capitais brasileiras, a 5.ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Apaixonada que sou por las películas de sudamérica não me furtei ao prazer de acompanhar mais este festival.
Acabei contudo, vendo somente dois filmes, um curta brasileiro e um longa argentino, mas que atenderam plenamente minha gana de assistir bons trabalhos e refletir sobre o que me importa.
Mundo Alas é um documentário argentino que justamente me permitiu alimentar desta sanidade que falei no início, e como escrevi no post sobre o Trio Jogando Tango, a vontade era de ter ao meu lado muit@s querid@s que pudessem compartilhar deste mesmo momento e sentimento.
O filme me fez retornar a sua sinopse, e neste retorno e releitura reconheci a destreza fútil com que orquestro alguns valores. Me recordo de ter conversado com uma amiga sobre o tema do filme, e ter dito que era sobre um grande músico que reunira um grupo de pessoas com deficiências intelectuais e que tinham alguma habilidade artística. Mera projeção, eu sou de fato a deficiente intelectual com quase nenhuma habilidade artística.
O documentário emerge na história daqueles artistas, grandes artistas que nos instrumentalizam para arrancar de nós, de mim, como num descascar de cebolas, camadas de "pré-conceitos" sobre a capacidade artística de seus personagens.
Ainda sobre o relato da sinopse, o que ficou da minha primeira leitura foi a deficiência, isso marcava prá mim o enredo do filme, após ver o documentário, na segunda e nas demais leituras, o grande talento, a capacidade artística presente neste grupo chamado Mundo Alas, desnuda e de alma lavada.
O final marcado pela magnânima interpretação de Mundo Alas da canção "Sólo le pido a Dios", composta pelo músico León Gieco (que conduziu este trabalho), conhecida na voz de Mercedes Sosa.
Segue abaixo a sinopse do filme, o site do grupo e a dica prá quem for à Argentina e tiver o grande privilégio de vê-los:     


Mundo Alas é um road movie, uma viagem iniciática de um grupo de jovens artistas que mostra sua arte junto com a voz, o talento e a experiência de León Gieco durante uma turnê por diferentes províncias argentinas. Músicos, cantores, bailarinos e pintores, todos eles grandes artistas, e portadores de necessidades especiais, expressam e comunicam sua maneira de ver o mundo: aquilo que lhes preocupa, que os anima e que os inspira, em um show que combina música, dança e pintura. Nele se destacam o rock, o folclore e o tango junto a grandes sucessos de León Gieco. 


DireçãoLeón Gieco, Fernando Molnar, Sebastián Schindel
RoteiroFernanda Ribeiz, Sebastian Schindel e Fernando Molnar
FotografiaManuel Bullrich
EdiçãoErnesto Felder
Empresa ProdutoraMagoya Films
Contatomagoyafilms@gmail.com | www.mundoalas.com.ar 


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

José e Pilar

Tenho prá mim agora talvez o maior dos desafios neste espaço que me propus preencher com idéias que me laçam do lugar comum, me lançando às virtudes de criar. Qual não é este intento senão falar de José e Pilar. Hoje por fim chorei Saramago. O luto tardio da perda negada, me fez sentir num tanto só, toda a dor por alguém que silenciou. Talvez isto fizesse sentido com qualquer outro, mas não com este José. O José de Pilar, que no seu jeito único de expressar, significou como ele só sentimentos não ditos, malditos talvez, benditos por certo, significou os sentidos que contrariam os pontos e vírgulas de todos mais. A coragem de dizer o que se pensa, no que se crê, no que não crê, na certeza de dizê-lo a pessoa certa, no tempo que se quer, a quem quer, a quem crê, a quem não crê. O tempo que lhe faltou, que lhe precisou e lhe tomou prá si, o tempo que levou de nós a alma gentil de um homem que amou, viveu, que deu de si às artes, e que impregnou do mais intenso significado um jeito saramaguês de escrever. Por isso, não este José, não há como silenciar este José, que no seu texto corrido expressa as passadas de alguém que não temia avançar, eliminava os obstáculos do seu próprio modo, seguindo sem medos, sem paradas, sem tempo a perder, convicto, certeiro, objetivo, o próprio. Um filme emocionante, que trata de serenidade, sinceridade, feminismo, cumplicidade e amor, de inteligência sobretudo. Do amor que não banaliza o seu real significado, que preza pela figura que não é sombra, que é Pilar, que é O Pilar, a PilarPilar Del Río, que cruza com José Saramago nas ruas de Portugal, nas ruas da própria vida. No ponto exato do beijo que não pode ser retido, do encontro enamorado que me valerá meu tempo. Das frases inúmeras e da figura apaixonante que é José Saramago fico com a cena em que mostra sua humanidade ao ver nas telas a personificação de sua obra "Ensaio sobre a cegueira". Na pele de um mortal, José chora e se emociona lembrando do que lhe ocorreu durante a criação de sua obra magna.
Alheia às críticas de José às deidades, o filme é divino, José o era.
Vejam e vejam e vejam...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Como Esquecer

Outro dia quando fui à Bienal, ouvi várias vezes as pessoas se expressarem: "Mas isto é arte??", e pensando um pouco nisto, fico a tentar responder o que é arte. Arrisco-me a dizer o que é arte prá mim, num sentido muito particular do que me move, do que me provoca, do que me incomoda e me tira deste lugar comum. Penso que arte seja tudo aquilo que nos leva a nos enxergarmos no "isso", no "aquilo", na pedra pendurada, na pintura borrada, na cadeira abandonada num canto, e sem dúvida, nos personagens de um filme.
Hoje vi "Como Esquecer"... não pontuado por uma interrogação, mas que me levou a isso.
Numa história prá todos nós, o tema central do filme é a dor.
Falar de dor é difícil, senti-la é inevitável, superá-la é um feito.
Mas, encontrar-se na dor alheia, isso é arte. Na dor da Júlia, na dor do Hugo, da Lisa, da Helena. As nossas dores estão lá representadas, todas elas. O roteiro caminha por caminhos que já trilhamos em nossas tentativas de superar nossas dores. A plástica do filme é muito bonita, a provocação é tenaz, aproxima, nos leva junto, deita, come.
Como naqueles jantares em que a saladinha faz mais sucesso que o prato principal, Ana Paula Arósio poupou nos temperos e deixou prá Arieta Corrêa o lugar mais pretencioso e ousado.
O filme mantém a elegância de um argentino dançando tango. Me vi em várias cenas, me vi em todas elas.
Um filme prá ser visto e sentido.

fonte foto: http://comoesquecer.wordpress.com/ (blog oficial do filme)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Museu DAS LEMBRANÇAS do Futebol

O que te lembra a infância?
Outro dia conversando sobre culinária com uma amiga, chegamos ao ponto de falarmos de comidas que tem sabor de infância, que nos reportam de tal maneira que nos sentimos aconchegados ao sentir novamente aquele sabor.
Mas, nem só de sabor viveu nossa infância. 
Hoje, uma vez mais nas minhas andanças por São Paulo em seus programas gratuitos, fui conhecer o Museu do Futebol, e revivi por um instante, que foi curto mas também eterno, um sentimento de infância, deliciosamente prazeroso.
Os finais de tarde me são especialmente agradáveis, talvez porque tenha nascido num final de tarde, exatamente às 16hs, e lembro-me de muitas situações e vivências das minhas tardes. 
Após um dia de boas brincadeiras de crianças, num quintal de terra, chutando bola, correndo e subindo na goiabeira, no balanço do abacateiro, fazendo trilhas no chão para brincar de pneu, com os irmãos e amigos, ouvia meu pai ligando seu radinho AM para ouvir um desses programas de comentários de futebol, na Rádio Globo com o Osmar Santos.
Mesmo sem ser muito atenta, era-me muito familiar tudo aquilo. Meu pai sempre gostou mais de cozinhar do que minha mãe, ligava o rádio e enquanto tomávamos o café da tarde, ele ouvia todos aqueles comentários e já começava a preparar a janta, comida bem temperada, as suas sopas inesquecíveis, que saudades pai!!!
O som, o sabor, o aroma, tudo junto, muito familiar, muito agradável.
Hoje quando passava numa das salas de visitação do Museu, revivi um pouco disso, ao ouvir uma das narrações do Osmar Santos num jogo de Palmeiras e Corinthians (meu pai era muito corinthiano), por um momento experimentei tudo aquilo, de novo, que saudades... "ripa na chulipa, pimba na gorduchinha, e que gollllllllll!!!!".
Há alguns anos já sem isso, não só porque cresci, mas porque seu radinho já silenciou também, fica aqui minha lembrança e carinho eternos à memória deste pai que me ensinou muitas coisas... meu pai corinthiano "seu" Darcy, que me fez aprender e me faz sentir em coisas simples valores eternos... minhas muitas lágrimas prá você. 

sábado, 9 de outubro de 2010

O Poeta e as Andorinhas

O que é o bonito? O que é o formoso? O que é o belo? O que é leve? O que é doce?
Quando pensamos nestes adjetivos, nos vem conceitos um tanto subjetivos, de referências absolutamente pessoais, e que portanto, difíceis de definir. Há quem diga que o feio não existe. Pois é, mas parto por essa introdução, para falar deste espetáculo, que me deixou com um sentimento de suave e adocicada beleza.
Um espetáculo que conta contos de Oscar Wilde de um jeito lindo, leve e formoso. Apesar de ser um espetáculo infanto-juvenil, trata de questões que são de todos nós, quem não sabe o que é amar incondicionalmente, amar sem ser correspondido, doar-se, negar-se por amor. Que delícia de tempo passado ao som de canções doces, bem cantadas, um cenário que nos transporta a outros tempos. 
A mensagem central é do amor que só vale a pena se for para libertar, seja pela morte, seja pela vida.
Vale muito a pena assistir, levar amig@s, sobrinh@s, filh@s, de todas as idades... gratuito com distribuição dos ingressos uma hora antes do espetáculo, sábados às 16hs, no Teatro Imprensa (Rua Jaceguai, 400 - São Paulo).


Segue link com trailler do espetáculo:
http://www.youtube.com/watch?v=4-0PnMROV6U

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Et Si Tu N'existais Pas


ENFIM VIÚVA - mais uma produção francesa deliciosamente surpreendente.
Este filme é um pouco de tudo que esperamos encontrar numa pessoa a quem queremos amar: nos faz rir, nos faz refletir sobre coisas importantes, nos faz sentir raiva as vezes, nos faz sentir saudades, nos faz chorar, mas acima de tudo, nos faz desejar sempre ver novamente e passar por tudo outra vez.
A história é simples, mas suavemente envolvente, muito bem dosada em suas porções de humor, de drama, de romance, e que subitamente ainda nos rega com uma trilha sonora de particular encantamento.
Vejam e se apaixonem novamente, depois de assistir precisei de uma longa caminhada na Paulista prá me recuperar antes de ir prá casa, simplesmente sensacional.
Segue link prá um vídeo clip da trilha sonora principal do filme numa versão atual e gostosíssima de ouvir.

http://www.youtube.com/watch?v=W-VnxF6b0A0

Confiram!!!

domingo, 19 de setembro de 2010

O Beijo

CONSTANTIN BRANCUSI - O Beijo, 1908
Severas letras que arrancam de mim o riso
O fato, o é assim como o faço
O faço fato, prá que de mim não saia
Tão perto, me faz sentir
A lembrança que desvanece
Teu leite no meu leito,
teu gosto no meu rosto.
Tão sóbrios, nossos olhos se cruzam,
Tão longe, tão perto, tão tudo, tão nada.
Tua pele suada e a minha, ligadas num corpo só
O cheiro do prazer que atravessa por entre nós,
Nossos nós. Seu gemido, sua dor, seu favor.
Seu beijo na minha boca, sua boca, nosso beijo, nosso tudo.

sábado, 18 de setembro de 2010

Antes que o Mundo Acabe e 5xFavela

Noutro post, noutro dia, conclui uma reflexão que tratava do que me inicia nessa conversa, de agir sobre a nossa história, de decidir por nossas escolhas, de provocar com atitudes a nossa própria vida.
Invariavelmente, nos meus anos mais recentes, para não denominá-los últimos, tenho feito escolhas curiosas, que me trazem ganhos interessantes, deveras importantes também. Ano passado, para não ir muito longe, decide por ler muito, comecei e concluí meu ciclo com Saramago (A Viagem do Elefante e Caim), no meio desse soneto, vieram também biografias (Lance Armstrong e Maysa), uma trilogia de ficção evangélica mais dois bestsellers do mesmo tema, romances psicológicos, livros que viraram filme (como O Menino do Pijama Listrado), magia e fantasia (A Cabana e As 7 Crônicas de Nárnia). Num desejo de terminar o que havia começado, li até o que achei pouco estimulante, mas que, tomando a rédea de minhas escolhas, algo de bom poderia surgir, ainda que fosse terminar aquela leitura.
Bem, neste ano, o cinema tomou lugar neste ímpeto de fazer-me decidir e pensar, ocupar-me por vezes. E tudo isto, tem me levado a agradáveis surpresas. Como já tenho dito, o cinema francês foi de longe minha maior satisfação e descoberta. Filmes de qualidade, dramas ou comédias de fazer rir e chorar, de fazer pensar ou simplesmente descontrair, sem compromissos de compra e venda, sem verdades definitivas, sem promessas de solução mundial, sem o falso maniqueísmo moral defendido ainda por algumas estações cinematográficas.
Outras gratas surpresas dessas semanas passadas, foram estes lançamentos brasileirinhos, "Antes que o mundo acabe", uma produção gaúcha das mais belas. Um tom leve, suave, muito parecido com o também brasileiro e gaúcho "Os Famosos e os Duendes da Morte" (comentado num dos meus primeiros posts). O outro, é o "5x Favela, agora por nós mesmos", interessante por sua construção e história, o filme retrata em 5 curtas, histórias do mundo chamado FAVELA, contadas por quem vive lá. Intenso em suas provocações, instrui-nos num outro conceito moral, o conceito favelático. Respostas fáceis que, tem outro tom e rumo nas relações estabelecidas entre moradores, autoridades e o poder por lá e por cá estabelecido.
Dois filmes muito bons, que divergem num aspecto que torna o 5x Favela, um tantinho menos espetacular do que poderia ser. Ambos, recheados de novos atores, ou pelo menos, pouco conhecidos no mercado midiático, o 5x Favela não sustenta em suas boas histórias, boas interpretações. Atores que emocionam pouco, mas que nem por isso, torna o filme menos interessante, as histórias no fim das contas, se sobrepõe a tudo. Em compensação, "Antes que o mundo acabe" não fica devendo em nada, gente nova dando passos de gente grande...
Recomendo ambos, com ou sem pipoca.

domingo, 6 de junho de 2010

Coisas Que Deixamos Pelo Caminho

Semana passada li o seguinte:

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está
no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta
que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a
felicidade."
Carlos Drummond de Andrade

E ontem vi este filme que me convenceu ainda mais da relevância desta reflexão de Drummond.

As perguntas são diversas: o que deixamos pelo caminho, o que recolhemos do caminho, o que não recolhemos no caminho e o que não deixamos pelo caminho.
Que caminho é esse, quem é o caminho.
Quem são no caminho, onde estão no caminho.
Porque vou no caminho, prá que vou neste caminho.
Com quem neste caminho, prá quem neste caminho.

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está...

No amor que não damos...
No amor que não damos no caminho.
No amor que não deixamos no caminho.
No amor que não levamos do caminho.

Nas forças que não usamos...
Não usamos as forças no caminho.
Caminho quase sem forças.
Sem forças prefiro outro caminho.

Na prudência egoísta que nada arrisca...
Nada arrisca no caminho.
Sem riscos caminho prudente.
E prudente, arrisco todo o caminho.

Esquivar-se do sofrimento que pode implicar em felicidade...
O sofrimento que leva a felicidade.
A felicidade no caminho que me esquivo.
Me esquivo da dor do caminho.

Como cantaria Djavan... como querer Drummondear o que há de bom...

O que há de bom???
O Caminho... viver o caminho é bom.

domingo, 30 de maio de 2010

Orgasmos Vivos

A psicanálise ou alguns psicanalistas denominam o orgasmo como a morte. A morte porque é o clímax, o pico de algo que descenderá, o prazer final, o próprio fim, portanto, a morte. Mas, como nem tudo explica Freud, e Freud nem tudo explica, decidi explorar outros prazeres, não menos prazeres, não menos finitos, não menos fluídos, porém, os quais passo a denominar orgasmos da vida, ou orgasmos vivos.
De fato, o clímax do prazer encerra-se numa explosão de gozo... mas, e se esse clímax do prazer perdurar e não encerrar-se com esta finitude esperada???
Seguindo nesta mesma rota, que tal descobrir os nossos pontos "G"?... sim temos, todos temos... a depender do "G", o gozo pode traduzir não o fim, mas o princípio de tantas coisas... rsss. Quantos "Gs" são capazes de nos fazer brilhar além do "pouco tempo"?
Mas, como nem todo orgasmo precisa ser morte, alguns "Gs" podem ser "Is".
O Orgasmo Vivo ao qual me referi reflete o prazer que superou a finitude, estendeu-se ao dia seguinte, seguiu-se até agora. Um prazer quase interminável, do dever cumprido, da meta atingida, do gozo alcançado, superado, mantido... o Orgasmo Intelectual. O Ponto "G" que é "I". Explicar é a morte, a descoberta é o que impulsiona para a vida.
Hormônios acionados, delírios, uma onda de prazer que invade o corpo, a alma, e que fica, e que permanece, mantém viva, mantém a vida. A fusão de dois corpos, a inteligência e a oportunidade, semeando um envolvimento, que a depender de seus casos, não é sempre que se vê. A inteligência, às vezes, prefere outros parceiros, que a tratam como uma qualquer. A inteligência que não tem preço, mas se vende por tão pouco. E a oportunidade é uma parceira única, de poucos encontros, mas estes são inesquecíveis. Gozei com elas, desse encontro não esqueço mais... alguns expiram... este, jamais.

Además del Punto "I", también hay el "G"... no sé todos, pero que los hay, los hay. Y que lo tengo, la tengo... kkkk.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Você é linda - A MÚSICA



Ouvi...
É interessante como a música significa e resignifica continuamente nossos momentos.
Como somos tomados tão de repente, como num arrebatamento, prá diante de algumas situações... simplesmente, ao som delas.
Dizer aquilo que queremos, mas que não encontramos nem o "como" e nem o "quando".
A música, a poesia, os acordes mais certos... e um sorriso maroto.
Que delícia celebrar essa união.
Me sinto o pote de geléia... kkkkk...
da geléia que chega, fresca, cremosa, deliciosa...
te recebo nos braços, nas pernas, na boca...
Me sinto o pote da geléia...
Hoje foi, puro desbunde!!! kkkkk